20/03/2019

Por Arilson Chiorato

Resisti em escrever sobre o episódio dos dois jovens que mataram estudantes, uma professora e uma funcionária de uma escola estadual na cidade de Suzano em São Paulo.

A empatia com as vítimas e suas famílias me trouxeram prudência e reflexão. Contudo, penso ser obrigação de todos nós, como cidadãos, refletirmos sobre o triste acontecimento. Não apenas sobre ocorrido em si, mas principalmente sobre as suas causas. Pois trata-se de uma tragédia social sem qualquer sombra de dúvidas.

No Paraná, em setembro de 2018, no município de Medianeira, também houve um ataque semelhante, onde um aluno atirou contra os demais e acertou dois adolescentes. A violência está presente nas mais variadas sociedades, mas, o que precisamos refletir, é sobre a forma com que iremos lidar com ela: cultuando e fazendo apologia sistemática à repressão? Agindo sobre as consequências ao invés das causas? Ou condenando os fatos geradores e conscientizando a população?

Vivemos um momento na sociedade brasileira onde a violência e o ódio são estimulados e exaltados. Onde a punição e a vingança social se sobrepõem à prevenção e ressocialização. Mesmo que não concordemos com essa perspectiva e de forma ativa não contribuamos para que ela se fortaleça, contribuímos com o seu desenvolvimento quando não denunciamos, condenamos ou repudiamos atitudes que estão transformando o Brasil em um país da intolerância. E esse é o quadro da sociedade em que esses jovens estavam mergulhados.

Precisamos tomar em nossas mãos a propaganda da CULTURA DE PAZ e nos contrapormos com determinação a esse estado de condições que nos leva à barbárie. Estimular o respeito às diferenças é essencial. Condenar a discriminação idem. Contrapor ideias que estimulem a violência como, na minha opinião, é o caso da venda, porte e uso de armas propagandeadas em rede nacional de televisão e até mesmo por governantes que deveriam defender a valorização de nossas vidas.

Nos mínimos detalhes podemos contribuir para a construção de uma sociedade mais humana. Não dar brinquedos que imitem armas aos nossos filhos. Ensiná-los que meninas e meninos têm algumas diferenças e que elas devem ser respeitadas. Em hipótese alguma permitir que se transformem em objeto de discriminações e coisificação. Ensiná-los que a cor da pele, sexualidade, opção religiosa ou política não faz de ninguém melhor ou pior do que outra pessoa. São alguns exemplos de atitudes que ajudam a deter o avanço do ódio e da intolerância que foram causa e não consequência da tragédia de Suzano.

Os jovens que cometeram aquelas barbaridades, juridicamente, não devem ser absolvidos. Mas do ponto de vista social temos que admitir também nossa parcela de culpa. Não por puxar os gatilhos ou lançar as flechas. Mas por não fazermos algo para estancar o avanço de comportamentos que estimulem ações como aquelas.

E como pai, preocupado com a realidade a que nossos jovens, em especial, estão expostos, gostaria de propor ao governador do Estado que realize, em conjunto com a APP Sindicato, entidade que representa professoras e professores estaduais, a 1ª Conferência Estadual da Cultura de Paz nas escolas estaduais paranaenses. O objetivo desta conferência é reunir a comunidade escolar – alunos, pais, professores, psicólogos e funcionários, para debater a realidade interna das escolas com foco no relacionamento e na divulgação de valores que se contraponham à violência, muito presente nos discursos em nossa sociedade atualmente.

A ideia é que realizemos o debate primeiro dentro de cada escola e, depois avancemos para o debate regional, tendo como próxima etapa uma grande conferência estadual que culmine em ações a serem desempenhadas pelo poder público e a comunidade escolar como contribuições para termos uma sociedade mais humana, começando dentro de nossas escolas, refletindo em nossas vidas, ações e relações.

*Arilson Chiorato é Mestre em Gestão Urbana e Deputado Estadual PT/PR

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